Indústria farmacêutica

Gerenciamento de Riscos na Indústria Farmacêutica: Momento Atual e Tendências

Escrito por Jair Calixto

31 MAR 2025 - 09H30

1. Cenário Atual

O Gerenciamento de Riscos da Qualidade (GRQ) na indústria farmacêutica é fundamental para atender às exigências regulatórias e garantir a qualidade dos produtos. As empresas estão aprimorando o uso de ferramentas, capacitando profissionais e integrando a análise de riscos ao Sistema de Qualidade.

Para isso, é essencial compreender a Análise de Riscos e sua aplicação eficaz, o que exige conhecimento técnico e domínio das metodologias e ferramentas adequadas.

Ferramentas e Regulamentação

Existem diversas ferramentas para Análise de Riscos, como:

  • FMEA e FMECA – Avaliação de falhas e criticidade.
  • Diagrama de Causa e Efeito – Identificação de fatores de risco.
  • HAZOP e HACCP – Controle de perigos em processos produtivos.
  • FTA – Estruturação das falhas em árvore lógica.

O GRQ deve ser aplicado em todos os elementos do Sistema de Qualidade Farmacêutica (SQF), sendo essencial para definir estratégias que garantam níveis aceitáveis de risco em processos como:

  • Qualificação de fornecedores
  • Auditorias e autoinspeções
  • Controle de mudanças
  • Revisão periódica de produto (RPP)
  • Controle da contaminação cruzada
  • Validação de sistemas computadorizados (VSC)
  • Autoinspeções e auditorias
  • Gestão de transporte e cadeia de suprimentos
  • Gestão de desvios e implementação de CAPA (Ações Corretivas e Preventivas)

Esses aspectos refletem a necessidade de integrar a gestão de riscos na estrutura da cultura organizacional e treinamento prático correspondente.

Capacitação e Aplicação Prática

Para um gerenciamento eficaz, as empresas devem:

  • Escolher e aplicar corretamente as ferramentas.
  • Adaptar métodos conforme a complexidade dos processos.
  • Treinar os profissionais na aplicação prática.
  • Tornar a Análise de Riscos parte da rotina organizacional.
  • A implementação prática deve considerar diferentes tipos de riscos:
  • Técnicos (conformidade, impacto ambiental).
  • Operacionais (logística, fabricação, qualidade).
  • Administrativos (financeiros, recursos humanos).
  • Corporativos (digitais, regulatórios, estratégicos).
  • Patrimoniais (segurança, infraestrutura, ativos fixos).

2. Caminhos para Evolução: onde queremos chegar?

Métodos para Implementação Eficiente

A escolha das ferramentas deve ser estratégica e baseada na complexidade de cada caso:

  • Casos Simples: Métodos ágeis e práticos.
  • Casos Complexos: Uso de ferramentas e softwares avançados para análise detalhada.
  • Casos Críticos: Combinação de ferramentas para avaliação precisa dos riscos e suas criticidades.

A formalidade da análise de riscos deve ser ajustada conforme a complexidade do processo, garantindo eficiência na gestão dos recursos.

A Análise de Riscos melhora a tomada de decisões, reduz subjetividade, otimiza a alocação de recurso e melhora a relação regulado x regulador e conduz os riscos a níveis aceitáveis.

Para evoluir, as empresas devem:

  • Implementar Programas de Gestão de Riscos.
  • Aprofundar o conhecimento em ciência farmacêutica.
  • Reduzir a variabilidade dos processos.
  • •Adaptar a estrutura de GR aos objetivos organizacionais.

O nível de formalidade deve ser proporcional à complexidade dos riscos, garantindo que os recursos sejam utilizados de forma eficiente. Ou seja, casos complexos, ferramentas mais consistentes, maior formalidade. Casos simples, ferramentas simples. Em outros casos, menos formalidade juntamente com o conhecimento e a experiência técnica das empresas.

Conclusão

Para que os profissionais possam avançar no conhecimento e aplicação do GRQ na indústria farmacêutica é preciso trabalhar nestes pilares:

1. Conhecimento profundo dos produtos e processos.

2. Compreensão da variabilidade e impacto dos riscos.

3. Domínio das ferramentas e metodologias.

4. Integração da Análise de Riscos ao Sistema de Qualidade.

Com essa abordagem, a indústria farmacêutica poderá garantir produtos mais seguros, eficientes e em conformidade com as normas regulatórias.

Referência: ICH Q9 – R1 (18/01/2023).

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